Na década de 50
Homens medindo a favela
Dizia aos moradores
Procure outro lugar
Aqui não podem ficar
A obra ponte Rio - Niterói
Breve irá começar
Juntou-se uma comissão
A procura de um lugar
Percorreram outros bairros
Até um terreno encontrar
Mas quando chegou em Manguinhos
Disseram é aqui que vamos morar
Naquele tempo tudo era diferente
Casa de tijolos nem pensar
Prefeitura dava as tábuas
A gente que se virava
Cada tábua que estalava
Eu sentia uma emoção
Na minha fase de criança
Qualquer coisa estava bom
Divertimento não faltava
Bailes, cinema, festinha familiar
Até escola de samba
Tudo tinha no lugar
Domingo era tradicional
Todo mundo assistia o programa Juvenal
Todos cantavam com alegria
Era ponto de encontro
Namoro escondido, paixões acumuladas
Nossos domingos eram assim
Todo mundo se divertia
Oh meu Deus que maravilha!
Uma igreja foi construída
A mais moderna do Rio
Pois era toda de vidro
Outra igual não existia
Gente de toda parte vinha conhecer
Reportagem de revista e jornais
Era São Daniel que veio para nos proteger
Finais dos anos 70
Tudo foi mudado
Nosso lugar tão sadio
Pouco a pouco transformando
A geração era outra difícil de entender
E a gente acostumando deixando acontecer
Aqui cheguei menina
Pisando na terra fertida
Era como um pasto
Ou mesmo um curral
Um terreno baldio onde criava animal
Com retalhos de couro de sapato
Bagaço de cana enterrado no chão
Fincaram nossos barracos
Nada importava
Em Manguinhos viemos morar
Sei que você já existia
Mas ninguém ouvia falar
Foi em 1955 que te fizemos popular
Sei que muitos vão falar
Satisfazer por tão pouco
Mas como não gostar
Se não tinha outro lugar
Manguinhos das enchentes
Que me tirava da cama
Para esconder em outro lugar
Luz fraca, água carregada
Nada disso importava
Em Manguinhos viemos morar
Você cresceu, eu também
Você rejuvenesceu, eu envelheci
Nada triste quero lembrar
Só quero te homenagear
Aqui construir minha família
Filhos, netos e bisnetos
Com muito orgulho e honestidade
Peço a Deus por toda a comunidade
E que alcance a melhor idade.