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Ministra Nilcéia Freire realiza aula inaugural do curso para mulheres em Manguinhos

Manguinhos, Rio de Janeiro, 24 de maio de 2009










No de 16 de maio, o Espaço CASA VIVA abriu o seu auditório Elenice Saturnino para a inauguração do curso 'MULHER MANGUINHOS' - para mulheres que fazem a diferença em Manguinhos -.
Esse curso é resultado da parceria entre a Coordenação de Projetos Sociais da Presidência da Fiocruz, a Assessoria de Projetos Sociais da ENSP, o Escritório Técnico de Manguinhos e a RedeCCAP.
A aula iniciou com um vídeo enfocando os direitos humanos em função também dos direitos da mulher na sociedade.

A ministra Nilcéa Freire falou da preocupação do governo Lula com a causa, e que ao atender à reivindicação de todo o movimento de direitos humanos criou a Secretaria de Políticas para Mulheres(SPM).

O curso tem a preocupação não somente de proporcionar um maior embasamento de defesa para mulheres vitimadas da sociedade ainda machista, como acentuou a ministra, mas fortalecer o protagonismo social com as mulheres de Manguinhos:

“...A violência contra a mulher diferencia das outras violências porque ainda há muito machismo, e, os homens ainda acham que mandam nas mulheres e que elas  fazem parte dos seus pertences, são propriedades suas, e, portanto, eles têm o direito de castigá-las quando acham que elas fazem alguma coisa que não lhes agradam...”

A ministra também falou a respeito da força da Lei Maria da Penha enquanto ferramenta fundamental de prevenção e coerção sobre a violência contra o gênero feminino que se torna vitima não somente doméstica e familiar mas em outras situações no seu cotidiano:

“...não basta somente igualdade de direitos, mas também igualdade no tratamento. Essa violência acontece dentro de casa. Pode acontecer na rua. Também pode acontecer no, ambiente de trabalho. Acontecem nas instituições como nos presídios, onde as mulheres vivem permanentemente agredidas nos seus direitos. A violência contra as mulheres não é somente que deixa aparecer marcas no corpo – a física -, é também aquela violência cotidiana que significa por exemplo: tira a liberdade das mulheres...”.

Falou sobre a eficácia do Disque 180, Denuncie Violência Contra a Mulher:

“...de janeiro a abril deste ano, o nosso serviço de utilidade pública atendeu a 113 mil pessoas solicitando ajuda em caso de violência. Nesse mesmo período, no ano passado, houve 65 mil atendimentos. Isso, ao invés de significar aumento da violência, na verdade significa que mais mulheres, a partir das campanhas passaram a ter vontade de romper com o ciclo de violência contra a mulher...”.

A aula finalizou com trocas de experiências expostas por algumas participantes como por exemplo o relato de Adelaide:

“... nesses dias tem passado na televisão um comercial sobre direitos humanos que dizendo que para ter direitos humanos basta ser’. Isso me deixa um pouco preocupada. Pra você ser tem que ter. Cai naquela velha história: que o sujeito que é traficante, quando cai no presídio ele é maltratado, se alguém o defende, se grita logo ”lá vem os Direitos Humanos!”. Acho que devemos ter cuidado com isso. Não seria ao contrário? Você ser pra poder ter ou você tem que ter pra poder ser? O comercial deixou isso na minha cabeça, eu tenho que ser pra ter. Como serei uma coisa que nunca tive? Nunca tive carinho, nunca fui respeitada. Não sei o que é isso. A mesma coisa é em relação a nós mulher = que não despertou a vontade de romper com a violência - somos violentadas o tempo todo pelos nossos companheiros... sabemos o quanto é difícil abrir a boca pra falar de fato. Temos que ter mesmo coragem, vontade aliada a muita coragem... Hoje a frase ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher, graças a Deus foi extinta. A mulher, hoje pelo menos pode ser ouvida. Ninguém quer ficar nesse circulo de violência. Hoje pelo menos se tem algum apoio, pra onde se ligar, conversa, desabafa...  Isso me deixa um pouco aliviada. Os homens já sabem que a gente tem aonde ir. Fico com a dúvida (com relação à campanha dos Direitos Humanos na TV): por que para “ter” tem que “ser”, não seria ao contrário?

O CURSO

O tematicamente o curso reflete sobre 'ser mulher' e sua da saúde integral; sexualidade e violência contra a mulher; urbanização no Brasil e em Manguinhos; geração de trabalho e renda para mulheres e a crise econômica.
É dividido em três módulos:

- 'Ser Mulher - Condição da Mulher no Século XXI';

- 'Saúde, Sexualidade, Violência, Urbanização do Brasil, Crise Econômica e Geração de Renda para Mulheres';

- e 'Ser Mãe - infância em Manguinhos, perspectivas para futuras gerações e Controle e Monitoramento de Políticas Públicas'.

As aulas são realizadas aos sábados, no Centro de Atividades São Daniel, Rua Ceará, nº1 (próximo à Capela São Daniel), Parque João Goulard/Manguinhos. Contatos: (21) 3977-2589, 9386-8850 e 8855-7389.

COORDENAÇÃO DO CURSO

Carla Moura (ENSP), Mayalu Mattos (ENSP), Elisabeth Campos (RedeCCAP/Casa Viva), Cristina Barros, Patrícia Evangelista e Rosane Marques.

Texto: Ubirajara Rodrigues
Fotos: Patrícia Oliveira

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