Poemas e Estórias
   






O CAVEIRÃO NÃO GOSTA DAS FLORES


Acordei de manhã
Abri a janela e vi o sol brilhar
Vi muita gente gritando
Olha o caveirão!
Socorro!
Tem bandido!
Corram, corram!
Tome cuidado!
Salve-se quem puder!
Morra quem puder!
Bam, bam, bam...
Meu filho morreu!
Meu filho não era bandido
mas morreu
Agora vou ter que pagar o velório
Pro cemitério
Seus desgraçados, matadores
Vão pro inferno
matem os filhos das suas mães
Vou botar vocês na justiça
Jogaram o menino no rio
O caveirão não gosta das flores
que a comunidade jogou nele
E ele derreteu






   
Poesia Coletiva da turma infantil da Oficina Portinari em Manguinhos, escrita na aula de 9 de dezembro de 2005 que refletiu sobre a tragédiado CAVEIRÃO (blindado da Polícia Militar) que aterroriza o cotidiano das Comunidades de Manguinhos e de outras favelas do Rio de Janeiro.


   
Desenho de fundo: tinta plástica sobre tela, 15 x 15cm
     



 
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